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Coorlece - Cooperativa de Otorrinolaringologia do Estado do Ceará

Notícias

Zumbido

Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que 278 milhões de pessoas no mundo apresentam zumbido. Desses, aproximadamente 28 milhões são brasileiros, o que representa algo em torno de 10-15% da população do nosso país. Dessa população, aproximadamente 20% apresentam zumbido significativo que leva à procura de algum tipo de ajuda profissional.

O zumbido, também chamado de tinnitus, é um som percebido nos ouvidos (de um lado só ou em ambos) ou na cabeça sem que haja uma fonte sonora externa que o justifique. Ele pode ser referido como um som de enxame de abelhas, apito, bater de asas de borboleta, panela de pressão, motor de geladeira, cigarra, batidas dos coração, cliques, etc. Ele pode variar em frequência e intensidade sonora, embora seja importante lembrar que não há relação desse volume com o incômodo que o zumbido provoca, ou seja, pacientes com zumbido mais baixo podem sofrer mais incômodo do que aqueles com zumbido mais alto.

Vale ressaltar que o zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma que deve ser minuciosamente investigado, afim de ser adequadamente tratado, o que minimiza o sofrimento do paciente. Entre as causas de zumbido, a perda auditiva mensurada está envolvida em quase 90% dos casos, mas outros problemas podem estar relacionados como cerúmen, medicamentos ototóxicos, alterações vasculares, distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão), doenças infecciosas dos ouvidos, labirintopatias, alterações metabólicas e hormonais, doenças neurológicas, alterações odontológicas, afecções musculares de cabeça e pescoço, dentre outras.

O tratamento envolve o controle dos agentes causais, evitar fatores de gatilho, uso de medicações e enriquecimento sonoro. Ele deve ser personalizado de acordo com a história clínica de cada paciente.

O foco do tratamento da causa do zumbido deve ser o objetivo, pois através disso poder-se-á obter um sucesso maior. No entanto, a identificação da causa nem sempre é possível, mesmo depois de exaustiva investigação clínica ou a causa não é passível de reversão, mesmo que identificada. Nesses casos, deve-se focar em evitar os fatores de gatilho como o excesso de açúcares, uso de estimulantes (cafeína, por exemplo), privação de sono, etc e no uso de medicamentos.

As principais medicações a serem utilizadas são os vasodilatadores, agentes histaminérgicos e drogas de ação no sistema nervoso central, com antidepressivos e ansiolíticos, com aplicação variável para cada caso.

O enriquecimento sonoro pode ser realizado de duas formas: através da amplificação sonora, para os pacientes com perda auditiva ou do gerador de som, que pode ser usado para pacientes com ou sem perda auditiva. Este último, visa a habituação do zumbido, de forma que ele estará presente, no entanto sem gerar desconforto.

O esclarecimento do paciente quanto ao seu problema é essencial para a sua melhora, o que coloca o médico otorrinolaringologista como o grande maestro para a orquestração do tratamento, sempre devendo se reportar a uma ajuda multidisplinar.

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